Os desafios da mulher do século XXI

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Discurso proferido na cerimônia onde fui agraciada com a Medalha Lopes Trovão concedida pela Câmara Municipal de Angra dos Reis em 15 de março de 2015

Os desafios da mulher do século XXI

 

A História reserva à mulher momentos peculiares.

Historicamente, em qualquer momento em que a ela se recorra, a presença da mulher emerge como ícone delimitador de transformações e avanços sociais, econômicos e políticos.

Foi assim na conquista do voto feminino no Brasil, que em fevereiro de 1932, precisamente no dia 24, completamos os 84 anos passados da conquista do direito de votar pelas mulheres. Um marco do protagonismo feminino da época e de afirmação da cidadania.

Outro marco histórico digno de menção se refere ao 08 de março, o Dia Internacional da Mulher.

Embora, o 08 de março esteja associado ao incêndio em uma fábrica têxtil de Nova York em 1827, quando cerca de 130 operárias morreram carbonizadas, é de conhecimento, que já no século XIX, a trajetória do movimento feminino já tinha muita força.

Organizações femininas oriundas de movimentos operários protestavam em vários países da Europa e nos Estados

Unidos, gênese – o início – do que atualmente chamamos de empoderamento feminino.

Empoderamento, que aquela época, respeitadas as diferenças e a peculiaridade do momento histórico, não difere do atual, se considerarmos que no foco do movimento permanece a luta pela efetivação de direitos fundamentais e pela utopia de ver extinta toda a desigualdade de gênero nas atividades profissionais, educacionais, sociais e políticas.

As reivindicações ainda são as mesmas, mas, hoje, concentram especificamente na conquista, pelas mulheres, de paridade nas disputas eleitorais.

Embora sejamos maioria na sociedade, a representação feminina nos diversos níveis de representação parlamentar revela-se consoante com a sociedade machista e sexista na qual, infelizmente, ainda vivemos. Falta representação, sobra déficit democrático.

No Senado Federal somos 13% do total dos senadores.

Na Câmara dos Deputados não somamos míseros 10%. Índices ínfimos quando comparados a média mundial de 22% nos diversos parlamentos espalhados ao redor da terra.

Quando defendemos a importância da mulher nos espaços institucionais da política, não o fazemos de forma corporativa. Fazemos porque acreditamos que embora relevantes, as datas mencionadas por si só não servem ao propósito de colocar a mulher no patamar da representação condizente com o papel que ela desempenha na sociedade.

É preciso mais. É preciso muito mais. É preciso que façamos de tais datas instrumentos de reflexão para pontuar que na história brasileira, por muito tempo não se fez, e ainda não se faz, justiça ao papel que desempenhamos.

Jesus, o filho de Deus, veio ao mundo e para a mulher ele trouxe o respeito, o perdão – a mulher pecadora quem não tiver pecado que atire a primeira pedra, a dignidade, o reconhecimento e a gratidão. Jesus tinha em seu ministério mulheres empoderadas economicamente, Claudia e Suzana, que colaboravam financeiramente e intensamente em Seu ministério aqui na terra.

Nós mulheres índias – eu Sandra sou descendente, na quinta geração, dos índios Tabajaras , donas de casa, professoras, advogadas, médicas, serventes….em qualquer posição que ocupemos não vamos desistir de buscar o reconhecimento do nosso esforço e a importância da nossa presença na construção e manutenção da sociedade e das comunidades em que vivemos.

Sou neta de Francisca Carolina, viúva aos 28 anos com 5 filhos menores e para criá-los dormia em média 3 horas por noite. Lavava e passava fardas para militares e sem saber já estava em processo de empoderamento, sou sobrinha de Maria Olympia, Bertha e Helena que foi da primeira turma de concursados da Petrobras e sou filha de Flora que até seus 17 anos só tinha um vestido para usar!

Estas mulheres nunca desistiram de viver e de buscar algo melhor, fazer alguma coisa ainda que por muitas vezes ajudei minha mãe a caçar pombos para ser a carne em nossas mesas.

Esta família de mulheres empoderadas é a minha família e oro para que as minhas filhas, Renata e Carolina perseverem tendo como ensinamento como eu tenho em minha vida e que me ensinaram por atitude e caráter o que é o empoderamento.

Somos lindas, perfeitas – em ajustes -, poderosas, guerreiras, confiantes, determinadas e singulares. Só nós temos a graça de gerar filhos do ventre ou do coração.

Não queremos estar na política pela política.

Ao contrário, queremos estar para emprestar à política o sentimento e o olhar único e sensível de mulher, certas que podemos contribuir para a construção de uma sociedade em que prevaleça o direito de oportunidades iguais para todos, onde seja possível reduzir todas as formas de invisibilidade políticas, sociais e raciais que cerceiam o exercício pleno da cidadania e, onde a paz e a justiça sejam os elementos basilares de resgate e o fortalecimento de uma cidadania progressiva e participativa.

Permaneceremos firmes em nossos objetivos de empoderamento feminino, mas sem perdermos a feminilidade.

 

Deus nos abençoe rica e abundantemente,

Sandra Lucia de Andrade Teixeira Leite

Angra dos Reis, 15 de março de 2016

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